São Paulo travou. Construída com base em um sistema de mobilidade urbana insustentável, que prioriza o transporte individual em detrimento do coletivo, a cidade agoniza em congestionamentos diários de mais de 100 km de extensão. Quem vive o caos diário nas ruas asfixiado pela fumaça e atordoado pelo barulho de motores sabe quão irritante e absurda é a situação. Quem não vive, pode dar uma olhada nos relatórios mensais deste ano ou checar agora o monitoramento da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET). Aposto como, dependendo da hora em que você clicar aí do lado, vai se assustar com o tamanho da encrenca. Exagero? Em 10 de junho de 2009, na saída do feriado de Corpus Christi, a CET chegou a registrar 295 km de filas. Em outras palavras, 35% das vias monitoradas travaram. Só isso.

carros

A insustentável lógica do transporte individual privado na Avenida 23 de Maio. (Foto: Julia Chequer)

É neste contexto que ganham espaço obras bilionárias, ampliações de avenidas, construção de viadutos e mais e mais ideias milaborantes e caras para ampliar um sistema que simplesmente não funciona. Impermeável, a cidade alaga com tanto asfalto. As montadoras recebem incentivos para produzir mais e mais carros enquanto os moradores sufocam com tanta poluição. Com as ruas insuportáveis e a falência do transporte coletivo e seus ônibus e trens sempre lotados, aumenta a procura por motos e helicópteros. O caos motorizado impera.

Outras Vias

Metrô na Praça da Sé

Aperto na Estação da Sé, a principal de Metrô de São Paulo. (Foto: Julia Chequer)

Mas é neste contexto também que ganha força a discussão sobre alternativas de transporte e a criação de modelos de deslocamentos mais sustentáveis, inteligentes e, por que não, divertidos. Enquanto alguns desistem e fogem para repetir os mesmos erros em áreas ainda não degradadas, enquanto as empresas continuam investindo milhões em campanhas publicitárias para convencer que “brasileiro é apaixonado por carro”, enquanto poderosos grupos econômicos financiam campanhas políticas para continuar formatando a cidade, algumas pessoas decidiram andar de bicicleta e discutir a lógica de investimentos.

Este blog surge para brigar por transporte coletivo e alternativo. É mais em meio à Massa Crítica que cresce sem parar em São Paulo e em diversas outras cidades como uma reação natural à lógica motorizada. É um projeto da Associação O Eco, entidade sem fins lucrativos voltada para o jornalismo ambiental.

Mantenha distância

Motorista, mantenha a distância

O blog é um espaço aberto à participação dos leitores e tem como principal objetivo colaborar na busca por uma mobilidade urbana mais sustentável. Se você pedala ou gostaria de pedalar, se está cansado do seu carro ou quiser denunciar descaso com transporte público, escreva. O autor*, Daniel Santini, é jornalista, tem 30 anos, estuda jornalismo internacional em uma pós-graduação e tem uma bicicleta vermelha. Pode ser encontrado no e-mail danielsantini@gmail.com

* Durante férias e em ocasiões especiais o blog fica na mão de interinos. A responsável pelos textos de novembro de 2010 foi a jornalista Gisele Brito, repórter talentosa com especial interesse no debate sobre transporte público, que cursa uma pós-graduação em Economia Urbana e Gestão de Políticas Públicas. Em março de 2011, a bronca ficou com Thiago Bennichio, também jornaista, autor do blog Apocalipse Motorizado, fundador e diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), e referência quando o assunto é bicicletas.


Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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