Ciclistas de São Paulo iniciam série de manifestações em solidariedade à POA

foto: cc Gonzalo Cuéllar

A noite chuvosa de ontem em São Paulo não impediu que mais de cem ciclistas se encontrassem na avenida Paulista para prestar solidariedade aos colegas de Porto Alegre, vítimas de um brutal atropelamento na última sexta-feira (25).

A mobilização em São Paulo foi a primeira de uma série de atos que irão acontecer em várias cidades do país e do mundo nos próximos dias (veja o calendário ao final do texto).

Enquanto as novas pistas da Marginal Tietê ficavam debaixo d’água e os quilômetros de congestionamento se acumulavam a cada esquina da capital, os ciclistas pediam respeito nas ruas e o fim da impunidade nos crimes de trânsito.

A manifestação começou com um “die-in” em frente à Praça do Ciclista. O ato, que consiste em deitar-se no chão para denunciar algum tipo de violência, durou pouco mais de um minuto.

Em seguida, sob aplausos e chuva, o grupo começou a caminhar no sentido Paraíso da avenida, entoando frases como “não foi acidente” ou “mais amor, menos motor”.

Durante todo o percurso, as bicicletas foram empurradas em sinal de protesto e a caminhada seguiu pelas duas faixas da esquerda da avenida (a Bicicletada de São Paulo costuma deixar livres as faixas e corredores de ônibus).

A caminhada, que durou pouco mais de uma hora, seguiu até a av. Brigadeiro Luís Antônio, retornando até a Praça do Ciclista em seguida. Centenas de panfletos foram distribuídos aos motoristas e pedestres, chamando a atenção para o caso de Porto Alegre e para o direito do ciclista de utilizar as ruas com segurança.

Repercussão
O atropelamento em Porto Alegre ganhou repercussão internacional. Sites e veículos de notícia em países como Portugal, EUA, Holanda, Bélgica, Reino Unido, Argentina, Chile, Espanha relataram o acontecimento, classificando-o como “barbárie”. Redes de TV como CBS, Fox News e BBC também destacaram o acontecimento.

No Brasil, a notícia do atropelamento em Porto Alegre ganhou expressão nacional ainda no sábado, com reportagens nos principais telejornais. Na segunda-feira, a tag #naofoiacidente chegou ao primeiro lugar nos “trending topics” do Twitter brasileiro.

Autoridades, políticos e até celebridades como o ex-jogador Ronaldo se mostraram indignados com o acontecimento.

Na segunda-feira, os promotores Eugênio Amorim e Lúcia Helena Callegari, do Ministério Público gaúcho, pediram a prisão preventiva do motorista. O MP afirma tratar-se de um crime doloso (com intenção de matar) e duplamente qualificado, por ter sido cometido por motivo fútil e por um meio que impossibilitou defesa das vítimas.

Calendário
Hoje, terça-feira (01/03), os ciclistas de Porto Alegre se reúnem no Largo Zumbi dos Palmares para uma bicicletada, a partir das 18h30.

Em Belo Horizonte, o Rolê Urbano das Terças começa às 20h, na Praça da Liberdade, e será dedicado aos ciclistas gaúchos.

A Massa Crítica de Buenos Aires (Argentina) também sai às ruas hoje. A partir das 18h30, os ciclistas se encontram no Obelisco e pedalam até a embaixada brasileira.

Na quarta-feira (02), Rio de Janeiro e Curitiba promovem bicicletadas de solidariedade. No Rio, o encontro acontece às 18h, na Cinelândia (em frente ao Odeon). Em Curitiba, também às 18h, a Bicicletada se encontra no pátio da reitoria da UFPR.

Também na quarta-feira, ciclistas de Bogotá (Colômbia) se encontram na plazoleta K15 calle 85. Em Natal (RN), a manifestação acontece a partir das 20h, em frente ao IFRN.

Na quinta-feira, Pelotas, Brasília, Florianópolis, Goiânia, Niterói e Recife. Realizam atos semelhantes.

O blog Vá de Bike fez uma postagem bem organizada com o calendário de mobilizações. Veja mais detalhes por lá.

Relatos, fotos e vídeos da manifestação em SP:
relato no Vá de Bike
relato no Eu Vou de Bike
matéria no Bom Dia Brasil (Globo)
fotos Gonzalo Cuéllar
fotos Eduardo Dias de Andrade
fotos everton137
fotos luddista
vídeo spamhaterbr

clipping de notícias sobre o caso

Por Thiago Benicchio

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2 Responses to “Ciclistas de São Paulo iniciam série de manifestações em solidariedade à POA”


  1. 1 Xavier 03/03/2011 às 1:14 pm

    Nota Pública do Movimento Passe Livre São Paulo em Solidariedade à Massa Crítica de Porto Alegre e aos Ciclistas em geral

    “Sai da frente! Eu quero passar!” Buzinas, motoristas raivosos e a pressa de quem não consegue esperar…

    Em nossa incansável jornada de luta contra o aumento das tarifas aqui na cidade de São Paulo, já passamos por situações muito desconfortáveis, para dizer o mínimo. Para além da agressividade da Polícia Militar de SP, que reprimiu por duas ocasiões as pessoas que protestavam pacificamente nas ruas, também tivemos, diversas vezes, desentendimentos e discussões acaloradas com motoristas impacientes e que não gostavam de esperar a passagem de nossas manifestações.

    Na opinião desse congestionado cortejo de carros, nossos atos sempre “atrapalham a sua vida e o seu direito sagrado de ir e vir”, dentre outras argumentações do mesmo gênero. Enquanto isso, em nenhum momento esses senhores e senhoras motorizados parecem estar dispostos a compreender que, pelo abusivo preço das tarifas praticado em todo o Brasil, mais de 37 milhões de pessoas (segundo os dados do Instituto de Pesquisas Ecônomica Aplicada – IPEA) também não conseguem exercer esse mesmo direito de se locomover pela cidades… Por esse motivo, as pessoas estão, há várias semanas, organizando protestos e fechando ruas em São Paulo: afinal de contas, não dá mais para aceitar uma concepção de transporte coletivo que está claramente na contramão dos interesses e anseios da maioria da população que utiliza os trens, ônibus e metro para o seu deslocamente diário.

    O pior, nessa história de bate-bocas e conflitos entre manifestantes e motoristas, é que, não poucas vezes, tivemos o desprazer de presenciar as tentativas de motos e carros avançarem para cima de nossos Atos. Um desastre poderia ter acontecido, certamente…

    Na vedade, nós, do Movimento Passe Livre São Paulo, não conseguimos até agora encontrar palavras, frases, poesias ou parágrafos que consigam expressar, de fato, o nosso espanto e repúdio em relação ao que aconteceu com os ciclistas que estavam em manifestação pacífica da última sexta-feira, 25 de fevereiro, na Bicicletada (Massa Crítica) de Porto Alegre (RS). Naquela fatídica ocasião, um motorista acelerou e avançou seu carro contra mais de uma centena de pessoas que pedalavam na rua José do Patrocínio. Pelo menos 20 ciclistas ficaram feridos durante essa ação. Por esse motivo, expressamos aqui a nossa torcida por melhoras na saúde e pela recuperação desses ciclistas que foram brutalmente atingidos pelo automóvel.

    Sobre isso, gostaríamos apenas de pontuar duas questões: em primeiro lugar, a bicicleta é um meio de locomoção previsto em lei e seu condutor tem todo o direito de circular pelas ruas com total tranqüilidade e segurança. Cabe lembrar, inclusive, que o Código de Trânsito Brasileiro, em seu artigo 58, prevê que a circulação de bicicletas, “quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes” deve acontecer “nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação (…) com preferência sobre os veículos automotores”.

    Todavia, nossa experiência diária infelizmente contraria todas as resoluções apresentadas acima. Dados do próprio Governo Federal indicam que cerca de 40 mil pessoas perdem a vida todos os anos no trânsito brasileiro. Um outro índice alarmante: no Estado de São Paulo, colisões e atropelamentos são as maiores responsáveis pela morte de jovens. Isso tudo para deixar evidente que o ocorrido em Porto Alegre não é, simplesmente, fruto do “acaso”, ou mera “fatalidade” e “acidente”.

    Outro ponto que merece nossa atenção: como entender a “impaciência” dos motoristas diante de “congestionamento” de bicicletas, como o promovido em Porto Alegre? Não há muito o que se entender mesmo… E, para piorar o quadro, os ciclistas dessa e de outras localidades também sofrem agressões e ameaças diárias no seu deslocamento pela cidade. Fato curioso esse, já que grande parte do tempo desperdiçados pelos motoristas decorre não por culpa da atuação de ciclistas, pedestres ou transportes coletivos, mas sim como consequência justamente da presença de outros carros na via pública…

    Por esses e outros motivos que, uma vez por mês, milhares de pessoas (em várias localidades do Brasil e do Mundo) saem com suas bicicletas, em Massa Crítica, para protestar e exigir respeito e espaço para esse meio de locomoção em nossas cidades. Assim, esses milhares de ciclistas, com sua criativas formas de questionamento à ditadura do automóvel e à carrocracia, também defendem e reafirmam a dignidade de pedestres, cadeirantes e passageiros de transporte coletivo.

    Talvez, a melhor forma de expressarmos solidariedade nesse momento difícil para vocês aí da Massa Crítica de Porto Alegre é reafirmando – não com minutos de silêncio, mas sim em alto e bom som – que não descansaremos um só segundo enquanto nossas cidades não foram transformadas de vez.

    Nosso 8° Grande Ato Contra Aumento das Tarifas (quinta-feira, dia 03/03) se iniciará na Praça do Ciclista da cidade de São Paulo. Nessa oportunidade, expressaremos nossa solidariedade por meio de uma bela homenagem aos ciclistas de Porto Alegre e de todo Brasil. O transporte público e a bicicleta são amigos nessa luta por mudanças no modelo de Mobilidade Urbana e por um verdadeiro e efetivo Direito à Cidade.

    Para que ninguém se esqueça, vamos dizer claramente e juntos: por uma vida sem catracas nos ônibus, trens e metros! Por uma cidade onde seja viável e seguro andar com nossas bicicletas! Uma cidade só existe para quem pode se movimentar por ela!

    Movimento Passe Livre São Paulo, dia 03 de março de 2011.


  1. 1 Sobre Bicicletadas, rebeldia e causas « Outras Vias Trackback em 29/04/2011 às 1:12 pm

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Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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