A Viagem do Elefante e outras viagens

Cicloturismo na Serra do Mar, em São Paulo

Um dos argumentos principais contra a bicicleta como meio de transporte são os limites de onde se pode chegar pedalando. Em tese, o uso deste veículo estaria limitado a pequenas distâncias, servindo apenas como complemento para outros modais. Faz sentido pensar em redes de transporte combinando ônibus, metrô, trens e bikes. A diversidade é enriquecedora, não só no trânsito, aliás. E pessoas diferentes optam por diferentes maneiras de se mover. Nos transportes, as cidades deveriam ter políticas públicas que permitissem e favorecessem diversidade nos deslocamentos e não apenas um único modelo, ainda mais se ele é excludente e desequilibrado.

Entender, porém, a bicicleta como um veículo destinado apenas a pequenas distâncias é um erro. A invenção é tão genial e potencializa de tal forma a propulsão humana que, sem queimar combustível, dá perfeitamente para completar longas distâncias. Para muitos, aliás, isso já virou rotina.

É neste contexto que o cicloturismo vem ganhando força com velocidade no Brasil. É uma forma diferente de conhecer regiões variadas e interagir com seus moradores. É um jeito de viajar barato, simples e ecológico. E é divertido demais, como dá para perceber no relato de quem já foi ou está se preparando para ir. Este texto foi pensado como um ponto de partida para explorar outras quatro viagens e, quiçá, até inspirar novos passeios.

A Viagem do Elefante

O roteiro da Viagem do Elefante (clique na imagem para mais informações)

Em 6 de janeiro, Benilton Lima começa a percorrer todo o Rio Grande do Norte de bicicleta. O mapa do Estado lembra um elefante e é daí que vem o nome da aventura. No blog rapadura biker dá para acompanhar todos os preparativos e ver o que ele pretende levar.

Ele não é o único a explorar o Nordeste. O Willian Cruz, cicloativista de São Paulo, tem pedalado em Alagoas e escreveu a respeito no blog Vá de Bike:

A bicicleta é uma das melhores maneiras de se conhecer uma cidade ou região. Você passa em um ritmo onde é possível perceber detalhes, sentir o lugar, conversar com pessoas, fazer paradas onde e quando quiser para não perder nenhum momento, imagem ou pessoa importante. Ao mesmo tempo, a bicicleta permite atingir distâncias muito maiores do que se andássemos a pé. Nesse dia, pedalamos 68km e conhecemos várias cidades ao redor de Maceió. Pude ver e conhecer muito da região. Coisas que não teria visto de carro, em lugares que eu não teria visitado.
Willian Cruz

Projeto Biomas
Outro cicloativista de São Paulo na estrada é o André Pasqualini, que em meio a uma crise pessoal e existencial, mergulhou numa viagem para se encontrar. Ele traçou um projeto ambicioso, o Projeto Biomas, e partiu para visitar cinco dos principais biomas brasileiros (Pantanal, Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica). Ele tem escrito bastante sobre a viagem e mistura reflexões pessoais com informações e dados sobre o trajeto. Aqui tem mais sobre o projeto e dá para acompanhá-lo no blog O Bicicreteiro ou pelo GPS que ele está levando.

Se você acha que precisa de um motivo como o do Pasqualini para sair pedalando, porém, saiba que o cicloturismo tanto pode ser para quem precisa pensar, como para quem quer simplesmente viajar.  O goiano Ricardo Rodrigues, o Scoob, que escreve com regularidade sobre as voltas que dá no blog Bicicletando, resumiu a experiência de pedalar por pedalar ao concluir uma viagem de Goiânia para Curitiba. De bicicleta, muitas vezes o caminho já é a viagem em si.

Desde o início eu sabia que minha viagem não era o destino, mas o caminho até o destino… O barato foi pedalar até lá, chegar lá todo mundo chega. Portanto quando eu cheguei ontem nem vibrei tanto, porque a vibração vinha comigo desde Goiania. Como previ não vivenciei epifanias de beira de estrada, nenhuma luz se revelou pra mim, nenhuma voz esclarecedora (alguns acham que eu fiz essa viagem em busca desta luz interior). Mas confesso que vivi de forma intensa estes ultimos dias, e isso é o que basta.
Ricardo Rodrigues, aqui

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Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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