Magrela amarrada

Como o Santini explicou no texto de até logo, eu não ando de bicicleta pela cidade. Moro do distante jardim Novo Grajaú, na zona sul, e imagino que levaria umas duas horas por dia para chegar ao meu trabalho de bike, na Barra Funda, na zona oeste. Faço esse trajeto diariamente de lotação+trem+trem e perco cerca de 4 horas do meu dia nessa brincadeira. Pelo menos trânsito eu não pego. A lotação percorre apenas um caminho curto cruzando o meu bairro até a Estação Grajaú e, como entro no trabalho fora do horário comercial, consigo vir sentada, lendo ou dormindo. Na volta, passo por certo perrengue, mas isso eu pretendo comentar em outro post.

Por coincidência, durante o período em que vou escrever no OutrasVias, terei a possibilidade de pousar alguns dias da semana em um apartamento no bairro da Santa Cecília, no centro, e me animei em fazer o trajeto até o trabalho de bicicleta. O Santini super apoiou e até deixou um capacete e a bicicleta reserva dele comigo. 

Recebi vários convites super gentis de pessoas se dispondo a me acompanhar nos primeiros dias. Pretendia fazer isso segunda-feira, porque imaginei que o trânsito estaria mais tranquilo em função do feriado. Mas não deu. A magrela continua amarrada no pátio aqui do meu trabalho.

A bicicleta não tem lanternas de sinalização e eu não me sentiria segura andando por aí “invisível”. Principalmente porque presenciei uma vez o desespero do motorista de um ônibus que tinha à sua frente um ciclista que ficava invisível no meio da madrugada. O motorista dizia que o que ele tinha mais medo era matar um “@2ksu8f de um ciclista daqueles” e que de uns tempos para cá ele tinha mais esse “estresse” acrescentado a sua rotina. (O que me fez refletir sobre como tem dado resultados o cicloativismo). Realmente, o ciclista à frente daquele ônibus monstro ficava invisível em vários momentos, dependendo da iluminação da rua, e o motorista estava preocupado com ele.

Por conta disso,  em solidariedade a esse motorista, aos pedestres míopes e, especialmente, à minha mãe, eu vou primeiro equipar a bike antes de me aventurar pelas ruas.

Gisele Brito

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11 Responses to “Magrela amarrada”


  1. 1 Felipe Aragonez 03/11/2010 às 7:52 pm

    É isso aí!
    Ilumine a bike, use um colete refletivo e força no pedal!
    Se precisar de ajuda, só chamar!

  2. 3 Marcelo Iha 03/11/2010 às 11:05 pm

    Sábia e prudente essa sua decisão! Tenho uma bike urbanóide toda equipada e iluminada, refletivos adesivos e tudo mais. Saio com ela parecendo árvore de natal, ambulante iluminado, vendedor de coisas com o caixote, mas sei que sou visto pelos motoristas. Já na outra bike nova ainda sem acessórios nenhum praticamente, percebo o quão invisíveis nós somos no trânsito, especialmente de noite. Invista sim numas lanternas básicas atrás e na frente, colete é uma ótima coisa, adesivos também ajudam bastante… Se precisar de algo, é só falar! Bom pedal.

  3. 4 eduardomerge 04/11/2010 às 10:26 pm

    Cuidado, as vezes é melhor ver do que ser visto… Desamarre a magrela e dê asas para encontrar bons trajetos nos espaços públicos.

  4. 5 Aline Cavalcante 05/11/2010 às 8:56 am

    Sabado tem encontro das pedalinas.. está convidadíssima!!! a partir das 14:30 na pça do ciclista.. qualquer coisa só falar

  5. 7 matiasmm 05/11/2010 às 9:29 am

    Boa postura,
    conhecerá uma cidade diferente Gisele.

  6. 8 Tom Bike 05/11/2010 às 11:35 am

    Uma coisa que funciona bem são aquelas faixas refletivas para caminhão, a da 3M tem uma cola muito boa, dá para recortar e colar no quadro da bike. Atrás do capacete tmbm fica legal. Pode até ser criativa e fazer uns desenhos, padrões e tal 🙂

  7. 9 Mário 05/11/2010 às 11:40 am

    Parabéns pela matéria, tudo tem um inicio.
    comecei aos poucos e hj eu consigo pedalar em marchas mais “pesadas” e fazer trajetos mais longos que antes fazia em 1h30 de onibus e um pouco mais de uma hora de onibus + metrô.
    as vezes vou de onibus ou metro apenas mas por comodidade ou porque no dia anterior fiz um treino mais “pesado” mas isso td por opção pois o que mais gosto é pedalar … da uma sensação indescritivel de mobilidade e liberdade.

    Mário

  8. 10 Camila Oliveira 06/11/2010 às 8:56 am

    Prudência sempre, corretíssima!

    Uma sugestão pra você: pense na possibilidade de trocar a lotação que você usa pra chegar até o trem por uma pedalinha! Analise o trajeto, onde deixar a bike por lá e experimente! Tenho certeza que essa pequena inserção da bike no seu cotidiano pode fazer muito por você!

    bjs


  1. 1 Andando no Futuro « Outras Vias Trackback em 10/11/2010 às 12:01 pm

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Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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