Sobre ruas vazias e subidas

foto: Julia Chequer (clique na imagem)

 

Terça-feira, 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, Dia das Crianças, São Paulo vazia, casais caminhando nas ruas, bicicletas para todos os lados, meninos e meninas brincando, carrinhos de bebê, cachorros soltos da coleira. E aí, para cortar caminho de bike de Perdizes até o Metrô Vila Madalena, arrisco um caminho alternativo, sem a Avenida Sumaré, que por ser plana seria a alternativa mais natural.

Começo pela Rua Campevas e, do nada, bem no meia da rua, me deparo com um cavalheiro tocando contrabaixo, acompanhado de outros músicos e um homem de chapéu girando uma bola de vidro de maneira mágica, quase sem tocá-la. Enquanto uma mulher fotografa ou filma, outro singelo personagem com roupa colorida e chapéu divertido, saboreia uma caneca cheia e observa a cena.

Não, não sei o que era, não quis tirar fotos e nem atrapalhar. Só ver a rua ocupada de forma tão lúdica e bonita já fez meu dia. São Paulo sem carros é outra cidade.

Altos e baixos
Prefiro ladeiras a avenidas com carros em alta velocidade, mesmo com a cidade vazia.  Só que o conjunto de morros vizinho da Avenida Pompéia é respeitável e exige muita disposição. Foi o Marcelo Iha quem me ensinou outro dia a cortar o bairro escalando a Cayowaá. Tem um quarteirão que talvez seja a maior subida de São Paulo, é preciso ir ziguezagueando para conseguir subir sem a bicicleta empinar.

Até onde sei, Pablo Neruda gostava de subidas e não gostava de carros. Topos de morros tem, como recompensa, vistas da cidade, pôr-do-sol, alívio. Quando morou em Valparaíso, o poeta vivia caminhando para cima e para baixo, explorando as ruas e pessoas (nesta página tem o poema “La Sebastiana”, que ele escreveu sobre a construção da casa que fez na cidade).

Se não são necessariamente ruins para pedestres, topografias irregulares tampouco são impeditivas para bicicletas. Não faltam exemplos bem sucedidos de cidades formadas por ladeiras com planejamento cicloviário, como São Francisco (EUA) e Marseilla (FRA).

Veja também: mapa colaborativo das subidas de São Paulo

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2 Responses to “Sobre ruas vazias e subidas”


  1. 1 Marcelo, o Iha 28/10/2010 às 5:31 am

    Opa! Que honra ser citado aqui como “ensinador”… Mas nada melhor do que ensinar e ao mesmo tempo aprender de maneira recíproca ao conhecer pessoas interessante sque também apreciam a espontânea ocupação das ruas pelas pessoas, o martírio de uma subida recompensado pela sacrificante vista que se tem do topo e pela inércia das descidas sem esforço. Hoje eu “treinei” subidas aqui por Perdizes, fazendo zigue-zagues pelos morros nas margens da Sumaré e brincando de montanha russa noturna cruzando a avenida como uma criança. Abraços!

    • 2 Daniel Santini 28/10/2010 às 7:33 pm

      Marcelo, você continua sendo minha principal referência em subidas. Assim que eu voltar de viagem, combinemos escaladas.

      Saudações,

      Santini


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Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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