Conexões necessárias 2 -> Manaus – Brisbane – Barcelona – São Luís

O post anterior, sobre a necessidade de conectar o desmatamento da Amazônia com a maneira descontrolada com que consumimos e desperdiçamos recursos naturais nas cidades, rendeu comentários empolgantes quando a mudanças possíveis. Mesmo com as campanhas de marketing milionárias para convencer as pessoas de que está tudo bem e que é normal cada um se mover no seu carro, veículos particulares de até uma tonelada queimando combustível a torto e a direito, há resistência crescente e gente com vontade de construir cidades mais humanas, baseadas mais em valores como qualidade de vida e respeito ao próximo do que em competição por espaço e eficiência pura e simples.

Valorizar e brigar por transporte público em vez de somente reclamar da falta de qualidade do serviço, e considerar a bicicleta como alternativa de transporte são ideias que ganham cada vez mais força. E, aí também, as conexões são necessárias.

Quem defende mudanças aqui em São Paulo ou em Manaus deve sim juntar esforços e trocar informações. Iniciativas coletivas como a construção da Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) fortalecem a disputa no plano institucional, ampliam a voz e a legitimidade na disputa por um melhor uso do espaço público, facilitam ações como o Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro, e a pressão para que o poder público não atue somente com base em interesses de grandes grupos privados. Construir cidades mais humanas (e divertidas) tem a ver com esse processo de mobilização e troca de ideias.

Pedala Manaus

Por isso que, encontrar entre os comentários do último post, a proposta do Ricardo Saci, do Pedala Manaus, de criar um banco de dados coletivo com projetos cicloviários para cidades no mundo é empolgante. Saci, meu caro, vamos fazer sim! Prometo estudar com o pessoal do O Eco como formatar melhor essa ideia. Ou a gente abre uma sessão nova no Outras Vias ou cria um mapa colaborativo como o “Chega de Queimadas”.

Por aqui (Manaus), estamos trabalhando em um projeto cicloviário para a cidade para ser implementado em etapas até a Copa 2014. No projeto, constará um reflorestamento da boa parte da cidade, como um modo de absorver CO2 e calor, ajudando a regular melhor a temperatura da cidade.

Ricardo Saci

A adesão do Tiago Rodrigues na sequência dos comentários, se dispondo a colaborar com dados sobre o plano cicloviário de Brisbane, na Austrália, só demonstra a força desta ideia. Ele escreveu sobre o sonho de ver Goiania, onde cresceu, virar uma cidade menos motorizada e citou o artigo no qual o meu vizinho no O Eco, o Pedro da Cunha e Menezes, cita como exemplo para o Brasil as ciclorrutas colombianas.

Ciclovias de Bogotá, exemplo para o Brasil. Foto: Pedro Menezes (clique na imagem)

Em poucos anos, o investimento se pagaria em termos de menor gasto com problemas de saúde e com economia de gasolina.

Pedro da Cunha e Menezes

E aí, por e-mail, o Diogo Pires Ferreira escreve apresentando o projeto laciudadeidea no qual trabalhou em Barcelona e fala do sonho de ajudar a aplicar este conhecimento que adquiriu na sua São Luís do Maranhão. Trabalho de primeira, vale conferir o vídeo de apresentação do projeto.

Ideias não faltam e as conexões estão sendo feitas. Caminhemos, amigos.

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1 Response to “Conexões necessárias 2 -> Manaus – Brisbane – Barcelona – São Luís”


  1. 1 Saci 14/09/2010 às 5:00 pm

    Fico feliz com o entusiasmo Daniel! Seria legal se desse pra explorar uma sessão no O Eco sobre projetos cicloviários, mas caberia também no Outras Vias. Uma possibilidade é que as postagens sejam coletivas, o que ajudaria a diversificar o conteúdo e estimular a discussão. A princípio, pensei em abordar um pouco da história do planejamento e implementação de planos cicloviários nas cidades do mundo, como uma referencia para a implementacao de planos nas cidades brasileiras. Para as que já tem alguma atividade nesse sentido, como Rio de Janeiro, Aracaju, Sorocaba e Santos, podemos mapear as ciclovias/ciclofaixas existentes/planejadas, incluindo fotos das vias enviadas pelos leitores. Para as cidades que não tem ainda ou estão em vias de implementar melhorias na infraestrutura urbana para estimular o uso da bicicleta, podemos sintetizar o conteúdo disponível em uma cartilha com o be-a-ba de como montar um plano cicloviário. Ideias em profusão que dão trabalho para acontecer, mas que podem catalisar mudanças positivas…


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Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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