Lógica assassina (ou carta aberta a Barbara Gancia)

Cara Barbara Gancia,

Tomo a liberdade de escrever uma carta aberta por acreditar que, além de indelicado e deselegante, o texto que publicou neste domingo na revista sãopaulo, da Folha de S. Paulo, coloca a minha vida e a de muitos amigos queridos em risco. Você não só foi grosseira ao abordar questões intimas e pessoais de uma amiga sem nenhum cuidado, como, ao deslegitimar a presença das bicicletas na cidade, alimentou a agressividade e falta de tolerância no trânsito. Sei que, para você que circula em uma bolha blindada, isolada das pessoas e das ruas, talvez seja difícil entender, mas para quem vive as “finas” assassinas de motoristas que querem “ensinar” os ciclistas a não ficarem nas ruas, seu artigo faz gelar a espinha.

Entenda, cara Barbara, que é um direito andar de bicicleta no Brasil – o Código Brasileiro de Trânsito não só prevê isso como determina que ciclistas têm prioridade e devem ser respeitados. Se isso não bastar, tente entender que cada bike é um carro a menos nas ruas – um carro a menos na sua frente, na frente da sua casa, na rua em que você toma uma cerveja tranquila.

Se algum ciclista durante as bicicletadas a ofendeu ou fez você sentir-se mal de estar fumando e enchendo a cara entre um sushi e outro, bem, desculpe, mas esse cara é um babaca. Agora, julgar todos os ciclistas e generalizar, é imensamente injusto. Você deveria ir em uma bicicletada para entender do que estou falando; tem gente que bebe, que fuma, que canta, que reza, que leva os filhos, os cachorros, gente magra, gorda, nova, velha, preta, branca, pobre, rica, tem de tudo.

Aliás, você deveria conhecer os mauricinhos que esculachou. Outro dia vim conversando com um que se orgulhava de, com o trabalho como educador em um abrigo, mesmo com um salário apertado, estar prestes a ser o primeiro da família a conseguir cursar uma faculdade. Um playboy completo, dona Barbara.

Pense um pouco, escreva um pedido de desculpas para a Falzoni e se quiser, um dia, venha pedalar com a gente. Garanto que essa inveja, tristeza e sensação de que é pequena e mesquinha vão passar. Depois a gente até toma uma cerveja.

Daniel Santini

Leia também:
O texto da dona @BarbaraGancia
A resposta do @oBicicreteiro
A resposta do@10porhora
A resposta da @pedaline

A página da genial @rfalzoni

E esse texto do @denisrb sobre a pertinência de bicicletas em SP

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9 Responses to “Lógica assassina (ou carta aberta a Barbara Gancia)”


  1. 1 KARARYU - O DRAGÃO FANTASMA 09/08/2010 às 12:28 pm

    Foi mesmo muita deseleGancia do Barbaroxa k. Gancia – o famigerado Capitão Gancia – cuja arroGancia rendeu e está rendendo chulapadas aqui, aqui => http://ht.ly/2mY1y , aqui => http://ht.ly/2mD9J enfim, pra todo lado.

    Mas conseguiu novamente atrair atenção com sua obtusidade. “Sou do contra, e daí?” Quis fazer sucesso e conseguiu. Afinal, andar na contramão gera muita visibilidade. Como costumo dizer, “a polêmica é o atalho para o sucesso”.

    Volto a afirmar, não vejo consistência argumental nem suporte suficiente nesse tipo de posicionamento que justifique tanta contestação. É apenas um textinho insignificante, mal-estruturado, uma verborragia que reflete nitidamente o recalque da inveja que ela tem do fato este sim, relevante e que passou lotado pela maioria d@s incaut@s que nem notaram, que a Falzoni vai ganhar a a Medalha José de Anchieta, com total merecimento.

    Sucesso incomoda.

    #INVEJAPURA #GETALIFE #VAILAVARROUPA #GANCIAFRUSTRADA

  2. 2 Ju 09/08/2010 às 12:57 pm

    Legal, boa carta. Vc a enviou para a dita-cuja? Seria legal ver a resposta…se tiver resposta, né?

  3. 3 Rayane Souza 09/08/2010 às 1:23 pm

    Nossa, li esse texto agora e achei um absurdo!

    Não só com a sua “amiga” Falzoni, mas com todas as pessoas que lutam diariamente para tornar as ruas da cidade que vivem mais humanas, mais vivas e belas.
    Que lutam pela divulgação de tal e não porque temos a desinformação de ser um “paleativo” para o trânsito, mas porque temos teoria/prática de ser a certeza para esse problema [e não só para esse, mas muitos outros].

    É muito triste que existam pessoas assim, que não possuem sensibilidade para o lugar que vivem.
    Ficam cada vez mais se enclausurando dentro de condomínio, de carros, de shoppings.
    Disseminando o fábrica do medo, despovoando nossas ruas, desconfigurando nossos bairros/cidades inteiras, iludindo nossas crianças e perpetuando esses absurdos.
    Possuem um pensamento preconceituoso, retrógado e que prega a segregação não só de classe social, mas também de nível intelectual.
    Pois se entendi bem, os idiotas/nazistas somos nós ciclistas? Vergonha!!!
    E também, se entendi bem, uma “senhora” de 57 anos tem de ficar sentada na cadeirinha fazendo trico? Absurdo!!!

    Pessoas como a Bárbara ficam em sua redoma, no seu mundo e apodressem nele.
    Não descobrem a verdadeira liberdade que se é compartilhar o que é de todos. O quanto isso é belo e nos torna vivos.
    Apesar de que alguem que é tão adaptado a carrocracia, pode soemnte criar um ódio mortal por quem atrapalha seu caminho. Acham estranho alguém não querer nem saber do conforto de se ter um ar condicionado, um estofado em couro, rodas de liga-leve ou a blindagem do que quer que seja.

    Infelizmente é esse tipo de pensamento que permeia a maioria das pessoas do nosso país.
    É triste, muito triste mesmo saber que esse tipo de texto atinja muito mais pessoas que todas as criticas que fizemos para essa tal jornalista.

    Triste, mas isso nos dá força continuar fazendo a mudança, para uma cidade mais humana e democrática.

  4. 4 jonascity 09/08/2010 às 3:52 pm

    Veja os benefícios do tranporte público:

  5. 5 Valéria 10/08/2010 às 5:47 pm

    Só li o seu texto hoje e achei demais!!!
    Parabéns pela sutileza e por não se rebaixar ao nível da Bárbara Gancia!


  1. 1 Formatos e valores « Outras Vias Trackback em 11/08/2010 às 1:05 pm
  2. 2 Sobre a vida (ou força, Tomás) « Outras Vias Trackback em 16/08/2010 às 4:47 pm
  3. 3 textos de Marcos Paulo Schlickmann [18] A estigmatização da bicicleta | na bicicleta Trackback em 28/02/2014 às 9:02 pm
  4. 4 18 – A estigmatização da bicicleta | Transportação Trackback em 07/06/2014 às 2:10 pm

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Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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