Os taxistas de Belo Horizonte

Jogo rápido, sem fotos ou link dessa vez. Nunca tinha visitado Belo Horizonte. Viajei para acompanhar um simpósio da http://media21geneva.org/ sobre o impacto do aquecimento global na agricultura e na fome. Se você nunca se interessou no assunto, vai um dado emblemático: mais de um bilhão de pessoas passam fome no planeta.

Antes de viajar, olhei mapas, descobri que meu hotel fica a umas cinco quadras do Minas Centro, onde o evento acontece, a uma caminhada do Mercado Municipal, de um parque bacana, enfim, tudo pertinho, perfeito. Até aparecer uma mesinha que atraiu um pé descalço desastrado e, resumindo bem, na véspera da viagem me vi no hospital tirando chapa de um dedo do pé. Nāo quebrou, mas ganhei um belo curativo e a recomendaçāo de sossegar.

Tudo para contar que tenho me deslocado por aqui de táxi. Frustrante. Até tentei abusar e caminhar algumas quadras, mas a velocidade com que o dedo incha e a dor me impedem.

Peguei três táxis até agora. O primeiro quase levou o pé de uma velhinha na faixa de pedestres. Ela chegou a gritar! O último, ontem à noite, tirou uma fina tão agressiva de um gari que achei que seríamos atacados com um saco de lixo. Ah, o segundo insistiu comigo que transporte coletivo não faz parte da solução para o trânsito já caótico da cidade.

Respeito zero pelos pedestres, carros velozes para todos os lados, ausência de metrôs e relatos pouco animadores em relação ao transporte coletivo. Pena. Belo Horizonte é agradável e quando as ruas ficarem mais humanizadas, pode ser uma capital em qualidade de vida.

******

Entre entrevistas para reportagens que estou preparando para o jornal Folha Universal, conversei com Jim Salinger, da Organização Mundial do Clima (WMO, da sigla em inglês). As previsões são sombrias. Se não alterarmos já hábitos de consumo e diminuirmos emissões de carbono, entraremos em colapso antes do previsto. Para a WMO não há dúvidas sobre o aquecimento global e frente a tantas evidências claras falar o contrário é bobagem.

Quase não vi bicicletas no centro de BH ontem. As pessoas falam que nāo dá porque tem muita ladeira e eu fico pensando que Sāo Francisco, nos EUA, onde mesmo com um monte de pirambeira, ganhou fama por ter bikes para tudo que é lado. Em São Paulo mesmo, na Vila Madalena os morros não são menores. E, assim como eu, sempre tem gente pedalando por lá.

Quando a gente quer, dá para mudar.

Agora não deixe de ler esse texto aqui enquanto eu vou botar o pé para cima e esperar um táxi… -> http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/cidade/nos-nao-somos-dinamarqueses/

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6 Responses to “Os taxistas de Belo Horizonte”


  1. 1 Rayane 13/07/2010 às 7:42 pm

    Olá!

    Sou moradora de BH.
    Inclusive, moro no centro, a 3 quarteirões do Minas Centro.
    Uso a bicicleta todos os dias, tanto para ir para o trabalho quanto para faculdade.
    E tudo que você relatou [com relação aos pedestres], acontece, infelizmente!

    Os pedestres, coitados, não conseguem se portar igual ao “deuses motorizados”, pois em BH o carro pode passar no sinal vermelho, porém o pedetre, se passar no sinal verde [para ele], não resta dúvida de que será atropelado e, até mesmo os outros pedestres irão xinga-lo por não ter olhadado para atravessar.
    A questão é mudar toda uma cultura de superioridade do carro, para depois pensar em uma cidade com formas alternativas de mobilidade.

    Você não relatou, mas se tivesse observado o comportamento das motos, se assutaria mt mais. Pois essas não tem respeito algum.
    Elas atropelam os pedestres, quando esses desembarcam do ônibus. Um absurdo!

    Com relação a topografia em BH, pelo menos para mim, não faz diferença alguma. Geralmente, as ruas mais inclinada, inclive no centro, possuem transito local e dá para subir devargazinho. Exitem exceções, das quais eu evito transitar. O transito em Bh é muito rápido e se desenvolve bem, até em horários de maior fluxo.

    A coisa mais complicada que vejo no transito em BH, na minha visão de ciclista, é mudar as prioridades. E meus maiores problemas no transito são quando os ciclistas estão envolvidos, pois dou prioridade a eles, porém o exercito de carros atrás de mim não quer fazer o mesmo. Pelo menos, até hoje, nunca passaram em cima de mim. E creio que isso não irá acontecer.
    É complicado, porém, mesmo com o coral de buzinas atrás de mim, deixo o pedetre passar com o maior sorriso no rosto, por ter a certeza de estar fazendo a coisa certa.

    • 2 Daniel Santini 16/07/2010 às 7:43 pm

      Rayane, fiquei muito feliz com seu comentário. Lindas palavras, ficou melhor do que o que escrevi. Se topar, envie uma foto sua pedalando para eu publicar no site como um depoimento. Que acha? Me escreve? danielsantini@gmail.com

      Um abraço,

      Santini

  2. 3 Wagner 21/07/2010 às 12:20 am

    Daniel, é só esticar o braço na faixa de pedestre que os motoristas lhe darão a preferencia na travessia…para o outro mundo!

    • 4 Rayane Souza 22/07/2010 às 2:48 pm

      Wagner,
      A questão é a seguinte:
      Quando se é visível no trânsito, quando você sinaliza que está diminuindo a velocidade com os braços, quando você tem uma visão 360° e, principalmente, quando você se impõem no transito [ocupando a faixa inteira e olhando para o motorista, ao invéz do carro] certeza absoluta que ele não vai passar em cima de você.
      Se ele não parar, é só dá passagem ao apressadinho e deixar ele ser feliz.

      • 5 Rayane Souza 22/07/2010 às 3:25 pm

        E Wagner,

        Aqui em BH é só na faixa mesmo pra passar, pq fora dela só abrindo buraco nas cercas q a BHtrans instala.
        A questão é que nós, meros seres humanos desprotegidos, não podemos invadir o espaço das máquinas.


  1. 1 RUTs! « Outras Vias Trackback em 22/07/2010 às 11:42 am

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Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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