Mudança de olhar sobre São Paulo

Autoretrato de Arthur Calasans e sua bicicleta dobrável. (clique nas imagens para ampliar)

Não suportava mais São Paulo. Estava no meu limite. Havia entrado em um ciclo de estresse por causa do trânsito. Ficava irritado e fumava, acabava desanimado em uma vida sedentária.

Foi assim que o fotógrafo Arthur Calasans começou a explicar, logo após reunião da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), porque adotou a bicicleta em seus deslocamentos diários. Há cerca de seis meses, quando mudou do Mandaqui para o Itaim Bibi, ele comprou uma dobrável e passou a ir para o trabalho na região da Avenida Luís Carlos Berrini pedalando. Aprendeu a deixar o carro na garagem com frequência – quando precisa visitar clientes em regiões mais distantes, dobra a bicicleta e pega um ônibus ou metrô. Está pensando em vender o veículo.

A dobrável no Parque do Povo. Fotógrafo conta que voltou a gostar de SP. (Foto: Arthur Calasans)

“Ganhei mais disposição para a vida, mais energia para tudo. Antes eu vivia cansado, triste. Eu voltei a gostar da cidade.”

Ele estima com base nessa calculadora do blog Eu Vou de Bike, que rodou desde então 1.200 km de bicicleta e uns 300 km de carro. “Perdi uns 6 kg e parei de fumar. A bicicleta ajudou muito a conseguir parar”.

Veja ensaio a bicicleta de lenir
Veja o site de Arthur Calasans
Veja a rota diária do fotógrafo
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Hoje, além de viver a cidade de outra maneira, Arthur Calasans faz parte de um grupo de ciclistas que tenta melhorá-la. Gente que, em vez de só reclamar do trânsito, pressiona por melhorias no transporte público e por mais espaço, reconhecimento e respeito para as bicicletas. Calasans tem participado de discussões para organizar o Dia Mundial Sem Carro.

Mesmo sendo alto e pesando 106 kg, Calasans se adaptou à bicicleta dobrável. Cena na Ponte da Cidade Jardim. (Foto: Arthur Calasans)

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9 Responses to “Mudança de olhar sobre São Paulo”


  1. 1 Vânia Stolze 18/06/2010 às 6:20 pm

    Adorei a matéria e mais ainda, sua decisão.
    Você nos inspirou a mudar!
    Parabéns!!Abs

  2. 2 Eduardo Merheje Jr 18/06/2010 às 7:26 pm

    É muito bom ver esse potencial de vida que a bike nos proporciona, e você é a prova dessa maravilhosa experiência…BIKE NA MINHA VIDA

  3. 3 Ardilhes 21/06/2010 às 3:49 pm

    É isso ae, a primeira pedalada é sempre a mais difícil. Depois, já era… é vício.

    • 4 Daniel Santini 22/06/2010 às 12:28 pm

      Meu bom Ardilhes, Eduardo e Vânia, ver gente animada assim que nem vocês dá esperança de que um dia possamos viver em cidades agradáveis de novo e não nesse caos de concreto, asfalto e fumaça.

  4. 5 Federico 22/06/2010 às 10:57 am

    Eu faço a mesma coisa no Rio de Janeiro, com bike dobrável tb. Excelente.
    Tem algum grupo organizado no RJ como os ciclistas urbanos de SP mencionados na materia?

    • 6 Daniel Santini 22/06/2010 às 12:14 pm

      Oi, Federico, pelo que sei, a associação mais parecida com a Ciclocidade no Rio de Janeiro é a Transporte Ativo. Eles fazem um trabalho muito bacana. Você pode dar uma olhada no site deles ou escrever para o João Lacerda: jglacerda@gmail.com

      Saudações!

  5. 7 Arthur Calasans 22/06/2010 às 8:01 pm

    DAniel, obrigado pela oportunidade de compartilhar essa história. Um abraço e obrigado.
    Arthur

  6. 9 Rodrigo 05/04/2013 às 12:48 am

    Estou fazendo um estudo com os ciclistas de São Paulo, que utilizam a bike como meio de transporte casa-trabalho/estudo. O projeto visa melhorar o relacionamento com os ciclistas de São Paulo e quebrar barreiras no destino.

    A pesquisa é rápida, tem apenas 8 perguntas. Se os amigos ciclistas puderem responder e divulgar, estaremos dando um passo para a melhoria nos serviços prestados para ciclistas.

    O link da pesquisa é: http://www.surveymonkey.com/s/Z9YJSF7

    Gostaria de entrar em contato com os amigos ciclistas para poder explicar melhor, meu e-mail é

    ro7verde@hotmail.com

    Grande abraço,

    Rodrigo

    Analista de Projetos Financeiros e de Viabilidade de Negócios


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Os autores

Daniel Santini é jornalista, tem 31 anos e pedala uma bicicleta vermelha em São Paulo. Também colaboram no blog Gisele Brito e Thiago Benicchio.

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